Espiritismo e espiritualismo

Grande professor que era (e ainda é), Allan Kardec, na introdução do Livro dos Espíritos, destacou que “para se designarem coisas novas são precisos termos novos”, cunhando então o termo Espiritismo para a nova doutrina que nascia, diferenciando pois do termo “espiritualista”, cuja acepção já estava bem posta e definida. Apesar disso, com o passar dos tempos, o que se viu foi a utilização equivocada do termo Espiritismo para a designação de crenças e rituais espiritualistas, não aderentes aos conceitos preconizados pela Doutrina Espírita, talvez por ignorância ou mesmo para evitar preconceitos, tendo em vista que algumas religiões de matrizes africanas tiveram seus cultos proibidos por grandes períodos no Brasil.

O “espiritualismo é o oposto do materialismo. Quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria, é espiritualista” (KARDEC,2017, p. 13). Complementa ainda o autor, dizendo que “o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível”. O espiritualismo é uma generalização, sendo a doutrina Espírita uma de suas especializações. Todos os Espíritas são espiritualistas, porém, nem todos que se denominam espiritualistas são Espíritas. Diferem um do outro pelos novos conceitos codificados pela obra de Kardec para o Espiritismo, com foco na investigação dos aspectos religiosos, filosóficos e científicos, relativos à humanidade, trazendo luz aos questionamentos como “de onde vim e para onde vou”, “qual o objetivo da vida”, “o que acontece após a morte do corpo carnal”, etc.

Estudar o Espiritismo estimula e conforta corações. O estudo é muito mais do que decorar trechos e recitar referências. Passa por reflexões, sensibilização de corações e prática, através de materialização das ações no bem. Sejamos verdadeiros Espíritas, cultivando o respeito às diferenças, atenção aos mais necessitados, domando nossas más tendências e atuando na obra do Cristo!

 

Referência Bibliográfica

KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guilon Ribeiro. 93. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2017.

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